Quem gosta de congestionamento?,

Célio Pezza

 Célio Pezza é escritor e autor de diversos livros, entre eles: As Sete Portas, Ariane, A Palavra Perdida e o seu mais recente A Nova Terra - Recomeço.

Célio Pezza é escritor e autor de diversos livros, entre eles: As Sete Portas, Ariane, A Palavra Perdida e o seu mais recente A Nova Terra – Recomeço.

A presidente da Petrobrás, Sra. Maria das Graças Foster, em entrevista recente ao jornal gaúcho Zero Hora, disse “acho lindo um engarrafamento, pois o meu negócio é vender combustível”. Mais adiante completou “acho lindo carro na rua, estou faturando”. Esse é o pensamento da mulher que está no comando de uma das maiores empresas do mundo no rentável mundo do petróleo. Aliás, por falar em rentabilidade, a Petrobrás apresentou um péssimo resultado em 2012 com o pior lucro dos últimos cinqüenta anos, uma queda na produção e aumento do endividamento.

Em fevereiro de 2013, o deputado federal Raul Henry (PMDB) declarou na Tribuna da Câmara Federal, que uma das causas desse desastre é o aparelhamento político da empresa, que resultou em muitas mazelas, inclusive na realização de negócios suspeitos. Em carta aos acionistas, a presidente Graça Foster falou sobre alguns motivos da queda de 36% nos lucros, como o aumento de importações, a desvalorização cambial e um aumento de despesas extraordinárias.

Por falar em despesas extraordinárias, a empresa tem um caso interessante, que agora o Ministério Público Federal decidiu investigar. É o antigo caso da compra de uma empresa belga sediada no Texas, EUA. A história é a seguinte: Em 2005 a empresa belga Astra Oil comprou uma refinaria norte-americana, chamada Pasadena Refining System, por US$45 milhões. No ano seguinte, os belgas venderam 50% da empresa para a Petrobrás, por US$ 360 milhões.

Continuando a história, em 2008, viram que a refinaria não servia para refinar o petróleo brasileiro, considerado pesado e precisava de grandes investimentos. Neste momento os sócios se desentenderam e a Petrobrás se dispôs a comprar a outra metade da empresa. Devido a cláusulas contratuais, os belgas exigiram que a Petrobrás comprasse a outra metade por módicos US$ 700 milhões. Na época, Dilma Roussef, então presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, acusou o absurdo da operação e se recusou a pagar. O assunto foi parar na justiça norte-americana e a Petrobrás teve que pagar em 2012 a importância de US$ 839 milhões. Resumindo o caso: uma refinaria que custou aos belgas US$ 45 milhões, foi parar nas mãos da Petrobrás por quase US$1,2 bilhão. Para piorar, a refinaria não serve para o petróleo brasileiro. Este foi um dos milagres da gestão de Sergio Gabrielli na presidência da Petrobrás.

Dilma trocou o presidente, mas a Petrobrás ficou com a conta. Dá para começar a entender o que são despesas extraordinárias? É uma pena que uma empresa como a Petrobrás, que possui uma das melhores tecnologias do mundo, que é um verdadeiro celeiro de engenheiros e técnicos brilhantes, um verdadeiro orgulho nacional, esteja nas mãos de políticos que exercem uma administração partidária, contra os interesses reais da empresa e do país. Quando você estiver preso em um congestionamento monstruoso, comum nas grandes cidades, aproveite para pensar um pouco e procurar entender o que acontece no Brasil.

 

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