Simulador de direção é tecnologia em favor de um trânsito mais seguro

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Diante das recentes discussões acerca das reações da sociedade quanto à obrigatoriedade do simulador de direção veicular para a formação de novos condutores, sinto-me na obrigação de cumprir meu papel como especialista em segurança, educação no trânsito e formação de condutores e ajudar a disseminar informações corretas e embasadas. Por isso, destaco que contar com esse equipamento não é uma decisão sem fundamento e muito menos ao acaso. É uma questão que une tecnologia e conteúdo pedagógico em favor de uma formação melhor, resultando em um trânsito mais seguro e que busca preservar vidas.

E já que falamos no esforço em melhorarmos esse cenário, vale voltarmos um pouco ao passado e às polêmicas geradas no Brasil a partir de mudanças na legislação de trânsito, que demandaram aos motoristas incorporar novos hábitos, o que sempre traz resistência e necessita de um trabalho educativo para ser assimilado. Um desses exemplos foi a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança, instituído em 1994 no país. Pesquisas internacionais apontam que a utilização dele reduz em até 40% as consequências fatais em um acidente.

A necessidade de utilizar o dispositivo foi questionada quanto à sua eficácia, mas aos poucos a sociedade entendeu que se tratava de uma medida que tornava mais segura a viagem, tanto que hoje passou a ser aceito e, principalmente, colocado em prática. Porém, nesse caminho foi preciso paciência e muito esforço para que a mensagem fosse incorporada e só agora, mais de duas décadas depois, é um ponto consensual quando o assunto é a segurança na condução do veículo.

Também vale lembrarmos do uso obrigatório de cadeirinhas para o transporte de crianças de até 7 anos, que passou a ser obrigatório no Brasil em 2010. Esse foi outro paradigma quebrado e as estatísticas apontam não haver dúvida de sua eficiência. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a utilização correta da cadeirinha reduz em 70% a possibilidade de morte das crianças em um acidente. Esse dado reforça que, além de ser um cidadão consciente e que respeita a lei vigente, ao utilizar o dispositivo o condutor demonstra também um compromisso com a geração futura ao preservar a vida de seus filhos.

Esses são dois exemplos de mudanças envolvendo os hábitos dos motoristas brasileiros que também sofreram rejeição à época em que foram implantados, assim como o simulador de direção na atualidade, mas que hoje são reconhecidos como itens indispensáveis de segurança, tendo seus papeis reforçados com o apoio das estatísticas citadas. Então, por que não nos permitirmos aceitar a tecnologia do simulador como aliada na busca pela melhor formação de nossos motoristas e, consequentemente, por um trânsito mais seguro?

robertaSou proprietária de um Centro de Formação de Condutores (CFC) em Belo Horizonte, uso o simulador há quase dois anos e venho acompanhando no dia a dia como ele se mostra eficaz em busca de seu propósito. As aulas na ferramenta são importantes porque contribuem para que o aluno chegue preparado ao momento em que vivenciará a prática de direção em um veículo e consiga reagir de maneira correta e segura ante aos desafios do cotidiano no trânsito. É nítida a diferença entre um aluno que começa as aulas de direção tendo passado pelo simulador e aqueles que não passaram.

O simulador é a oportunidade de quem nunca conduziu um veículo aprender as primeiras noções básicas de manuseio. Além disso, permite que não só conheça os comandos de um carro necessários para uma condução segura, como também vivencie como é dirigir em dias com neblina, chuvosos, em situações de aquaplanagem, em rodovias, serras ou, até mesmo, simulando de que forma o álcool afeta os reflexos do motorista e eleva os riscos de acidentes. Tudo isso com segurança no processo de aprendizado, o que não seria possível simular durante as aulas práticas para ter a tão sonhada Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Em resumo, o aprendizado no simulador só traz benefícios, educando o futuro motorista, acelerando o processo de aprendizagem dele e ainda servindo para que os condutores novatos desenvolvam as habilidades de direção fundamentais antes de assumir a direção de um veículo e sair às ruas. Diante desses avanços, é preciso mostrar disposição em evoluirmos em nossas atitudes e quebrarmos paradigmas, sempre colocando a segurança em 1º lugar!

Roberta Torres

Especialista em Segurança e Educação no Trânsito

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